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Como funcionam as máquinas de trading de alta frequência?

Quando as televisões querem fotos para ilustrar notícias financeiras, a opção mais fácil é mostrar o “trading floor” ou “trading pit” das bolsas, com os operadores a gesticular e a gritar. Hoje em dia, essas imagens são bem diferentes.

Com a mudança dos volumes de negociação para o trading eletrónico, o CME group, o maior mercado de futuros do mundo, em 2015 fechou a maioria dos seus postos de trabalho no “trading floor”, onde gerações de traders negociaram contratos futuros aos gritos e fazendo sinais manual. Muito do seu trabalho foi automatizado, executado através de algoritmos que fazem milhares de ordens a cada segundo e que lutam entre si para chegar primeiro aos servidores do CME.

Este é o exemplo mais recente de como o trading eletrónico e, mais recentemente, as máquinas de alta frequência (HFTs em inglês) mudaram os mercados. Mas não apenas a velocidade e os meios de execução mudaram, também os dados que os mercados financeiros produzem estão a mudar aquilo que sabemos ou pensamos que sabemos sobre os mercados financeiros.

Armadas com quantidades gigantescas de dados e computadores poderosos o suficiente para processá-los, essas máquinas estão a desafiar algumas das teorias mais estabelecidas sobre como os mercados funcionam.

O aumento das negociações de alta frequência gerou uma série de reações, desde aqueles que as consideram boas até aqueles que as consideram uma perversão. Uma consideração importante é o impacto dos HFTs no objetivo principal dos mercados financeiros – distribuição de capital para gerar os maiores rentabilidades.

Nos EUA, entre 60% a 80% do volume negociado na bolsa de valores são ordens colocadas e executadas por máquinas de alta frequência. Na Europa, o percentual é um pouco menor, em torno de 40% e 60%. No Reino Unido, de acordo com relatório do grupo TABB, 77% das operações são feitas por máquinas de alta frequência.

Apesar dessa mudança dinâmica na liquidez, existem apenas dois reguladores que supervisionam as operações das máquinas de negociação de alta frequência. São eles a SEC (Securities and Exchange Commission) nos EUA e o Comité Europeu de Reguladores (Committee of European Securities Regulators). Devido à falta de regulamentação, o impacto dos HFTs na eficiência e integridade dos mercados não é totalmente conhecido.

O HFT é um ramo do trading algorítmico. Normalmente são usados ​​para processar ordens de clientes, mas também são usados ​​para negociar por conta própria. As posições são geralmente executadas mais rapidamente, a exposição é mantida por um curto período de tempo, geralmente não há o “roll-over” de posições, uma vez que é negociado de forma intradiária e usa uma série de técnicas algorítmicas para operar.

Em regra geral, os negócios têm um pequeno lucro, mas com um volume negociado muito alto para compensá-lo.

A velocidade é um elemento importante, mas relativo, no HFT. Para colocar isso em perspetiva, um estudo recente conduzido pela Autorité des Marchés Financiers (AMF) no CAC 40 descobriu que algumas máquinas podem modificar ordens em menos de 10 microssegundos após terem sido enviados ao mercado e essas ordens podem ter ciclos de vida de 7 microssegundos. O uso da atual tecnologia de computação, a localização e a previsão estocástica permitiu que os HFTs obtivessem um desempenho excecionalmente alto.

Considerando que um piscar de olhos é “lento” (leva cerca de 300 microssegundos), um HFT negociando em 10 microssegundos pode fazer muitas alterações nos preços e nas ordens e permite que consigam processar informações muito mais cedo do que a maioria dos participantes do mercado.

O facto das ordens dos HFTs estarem à frente das restantes ordens de mercado, está refletido no rácio de “ordens / execuções” que estão em níveis extremamente altos. Por exemplo, de acordo com o estudo da AMF, três empresas que contabilizam 40% das ordens no CAC40, em abril de 2010 cancelaram 96,5% das ordens. Essa tática de cancelamento de ordens, que pode ser usada tanto defensivamente como ofensivamente, tem desempenhado um papel importante na divergência entre o número de ordens que podem ser executadas e o volume líquido negociado.

As estratégias utilizadas pelas empresas que operam através de HFTs preocupam outros investidores sobre a forma como são implementadas a nível tático e operacional.

Como os HFTs movimentam muito volume, o impacto nos mercados financeiros deve ser considerado. Muitos traders já manifestaram a sua preocupação com as consequências que estas máquinas podem ter na confiança, eficiência e reputação dos mercados.

Quais são os impactos?

O maior impacto é na liquidez.

Os HFTs conseguiram reduzir os spreads entre os compradores e os vendedores e aumentaram o volume negociado. Desta forma, tanto os investidores institucionais como os de retalho têm beneficiado de um spread menor. No entanto, esse benefício tem um problema. O volume negociado não é necessariamente um indicador confiável da liquidez do mercado, especialmente em tempos de volatilidade. A automação das execuções por parte de investidores institucionais, que usam o volume para refletir a liquidez, origina em determinados momentos, movimentos excessivos no preço e pode causar grandes perdas (como aconteceu no flash crash por exemplo).

O segundo impacto está na rentabilidade e na volatilidade dos ativos.

Embora alguns digam que as atividades de criação de mercado, o chamado Market Making, podem reduzir a volatilidade nos mercados de ações, estratégias de trading agressivas já podem aumentá-la. Por exemplo, HFTs que usam estratégias de deteção de liquidez e negociam antes de uma grande ordem institucional. Essa prática empurra o preço das ações para cima se houver mais ordens de compra dos investidores e por isso aumentam a volatilidade no preço do ativo. Como os HFTs são baseados em correlações estatísticas de curto prazo de rentabilidades de ativos, um grande número de ordens unilaterais pode gerar um “momentum” no preço e atrair traders que usam esse impulso como estratégia. O que provoca um aumento na volatilidade do preço.

O terceiro impacto é na descoberta de preços.

Ou seja, os HFTs ajudam a criar mercados mais eficientes, mais alinhados aos fundamentos do ativo negociado. Numa perspetiva intradiária, graças à alta velocidade das máquinas de alta frequência, os HFTs respondem muito bem ao fluxo constante de informações e refletem rapidamente no preço, contudo o seu efeito de longo prazo não é claro. As estratégias de HFT baseiam-se principalmente em propriedades estatísticas entre a rentabilidade de curto prazo dos ativos e os desequilíbrios entre a oferta e a procura. Consequentemente, as máquinas não têm qualquer interesse intrínseco no destino das empresas ou outros activos, deixando por isso pouco espaço para que os fundamentais do ativo (os seus lucros ou o seu fluxo de caixa) desempenhem um papel mais importante no momento de definir a estratégia. De momento, ainda não se pode concluir de forma definitiva que os HFTs não têm impacto na descoberta de preços.

Em conclusão, a tecnologia altamente sofisticada deu a estes robôs de negociação muitas vantagens face aos restantes investidores, criando um desincentivo para os investidores de retalho negociarem. Ao mesmo tempo, os HFTs dificultam o trabalho do regulador para garantir a transparência nos mercados, ao ser virtualmente impossível de analisar todos os dados que deixa para trás.

Por tudo isto, há que entender cada vez melhor como operam esta máquinas em determinados momentos, porque na realidade o seu comportamento também é previsível. Ou seja, há que analisar tecnicamente o funcionamento dos HFTs, tal como explicamos no nosso programa de formação, e assim tirar proveito da sua existência.

Através do nosso serviço de mentoria, comentamos diariamente estratégias de trading. Estas estratégias baseiam-se na nossa análise gráfica dos diferentes ativos, tendo sempre em conta a interferência das máquinas de alta frequência em determinados níveis de preço. Se pretender obter mais informações sobre o nosso serviço, basta entrar em contacto connosco através do email info@airtradingroup.com ou ligar para o +351 910727259.