{"id":20,"date":"2021-10-29T11:06:31","date_gmt":"2021-10-29T11:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.airtradingroup.com\/blog\/?p=20"},"modified":"2021-11-03T14:55:30","modified_gmt":"2021-11-03T14:55:30","slug":"geracao-sem-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.airtradingroup.com\/blog\/geracao-sem-futuro\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o sem futuro"},"content":{"rendered":"<p><span>Este ano, o 25 de Abril de 1974 celebrou 47 anos. Ap\u00f3s essa data hist\u00f3rica, em diferentes n\u00edveis, <strong>o conceito de liberdade ganhou uma nova express\u00e3o, felizmente. Mas ser\u00e1 que ao dia de hoje podemos afirmar que existe total liberdade e igualdade?<\/strong> Ou ser\u00e1 que vivemos num sistema desigual e opressor, em que apenas uma \u00ednfima parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 beneficiada?<\/span><\/p>\n<p><span>Uma coisa \u00e9 certa: <strong>o actual sistema conduziu a um n\u00edvel de<\/strong> <strong>endividamento hist\u00f3rico<\/strong>. Nunca o pa\u00eds esteve t\u00e3o endividado na sua hist\u00f3ria. No final do primeiro trimestre de 2021, a d\u00edvida p\u00fablica portuguesa representava<strong> 137% do PIB<\/strong> (ver Figura 1). No final de 1974, no rescaldo de guerras coloniais em v\u00e1rias frentes, a d\u00edvida p\u00fablica representava apenas 14% do PIB; desde ent\u00e3o, a d\u00edvida p\u00fablica subiu 123 pontos percentuais!<\/span><\/p>\n<p><strong>Figura 1<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/imagem_1-1.png\" alt=\"\" width=\"985\" height=\"581\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span>Porqu\u00ea este crescente endividamento ap\u00f3s 1974? <strong>Foi para beneficiar o povo, ou para benef\u00edcio de um conjunto de indiv\u00edduos?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span>Nos \u00faltimos anos, assistimos a uma pletora de consp\u00edcuos \u201cempres\u00e1rios\u201d, quase sempre provenientes da \u00e1rea do metro quadrado, seja de habita\u00e7\u00f5es ou terrenos, licenciados ao postigo, a desfilarem no edif\u00edcio da democracia, com o prop\u00f3sito de responderem sobre os milhares de milh\u00f5es de euros que obtiveram de cr\u00e9dito da nossa banca, quase sempre sem garantias, utilizando sempre uma regra: <strong>se \u00e9 incobr\u00e1vel, a d\u00edvida \u00e9 de todos n\u00f3s; se corre bem \u00e9 deles!<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span>Tudo isto debaixo do olho de um ex\u00e9rcito de supervisores, auditores e conselhos fiscais, e sabe-se l\u00e1 mais o qu\u00ea; ainda por cima, nas inquiri\u00e7\u00f5es dos ilustres deputados, surgem sempre ataques de amn\u00e9sia; ou ent\u00e3o respondem num tom jocoso, chasqueando dos n\u00e9scios que pagam impostos!<\/span><\/p>\n<p><span>Este \u00e9 o plangente cen\u00e1rio que os nossos filhos e netos enfrentam agora e no futuro. <strong>Uma propor\u00e7\u00e3o crescente dos seus impostos serve para pagar esta monstruosa d\u00edvida p\u00fablica<\/strong> que n\u00e3o cessa de registar <\/span><a href=\"https:\/\/bpstat.bportugal.pt\/conteudos\/noticias\/1447\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span>novos m\u00e1ximos<\/span><\/a><span> (hoje, olhando para os dados mais recentes de Agosto de 2021, situa-se nos 273 mil milh\u00f5es de Euros).<\/span><\/p>\n<p><span>Para agravar a situa\u00e7\u00e3o, <strong>quando entram no mercado de trabalho s\u00e3o \u201cconvidados\u201d a contribuir para o esquema em pir\u00e2mide denominado Seguran\u00e7a Social<\/strong>. Este sistema p\u00fablico de pens\u00f5es apresenta duas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao \u00ednclito falecido <strong>Sr. Madoff<\/strong>: (i) a ades\u00e3o \u00e9 for\u00e7osa; ao contr\u00e1rio do Sr. Madoff, este prometia retornos seguros atrav\u00e9s de um m\u00e9todo secreto, infal\u00edvel e tecnicamente sublime; (ii) a sa\u00edda do sistema s\u00f3 est\u00e1 autorizada numa determinada idade, que a cada \u201cespectacular reforma\u201d \u00e9 empurrada l\u00e1 para a frente, um dia destes aos 80 anos; o Sr. Madoff dizia que o cliente nunca mais poderia voltar ao clube.<\/span><\/p>\n<p><span><strong>O actual mercado de trabalho n\u00e3o permite qualquer ascens\u00e3o social em Portugal<\/strong>. Para um sal\u00e1rio de<strong> 1.000 Euros brutos<\/strong> <strong>\u2013 um dia destes dizem-nos que j\u00e1 se trata de um milion\u00e1rio<\/strong> -, o estado arrecada 37% do montante despendido pelo empregador privado (ver Figura 2). O nosso jovem ainda n\u00e3o come\u00e7ou a comer, a divertir-se ou a deslocar-se, tudo actividades sujeitas a uma avalanche de tributos e taxas \u2013 no final, mais de <strong>60% fica nas m\u00e3os do estado<\/strong>. Depois surpreendem-se que os jovens decidam sair daqui \u00e0 primeira oportunidade!<\/span><\/p>\n<p><strong>Figura 2<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/imagem_2-1.png\" alt=\"\" width=\"985\" height=\"578\" \/><\/p>\n<p><span><strong>A gera\u00e7\u00e3o que liderou a mudan\u00e7a de regime beneficiou ao longo de anos de baixos impostos e escassa regula\u00e7\u00e3o: p\u00f4de enriquecer e acumular capital. Para a nova gera\u00e7\u00e3o o oposto de tudo isto.<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Hoje, inseridos na Uni\u00e3o Europeia, temos desconhecidos comiss\u00e1rios europeus \u2013 na sua maioria pol\u00edticos falhados, que encontram a\u00ed uma reforma dourada \u2013, que <strong>produzem milhares de p\u00e1ginas de legisla\u00e7\u00e3o, sem qualquer controlo democr\u00e1tico<\/strong>, pois ningu\u00e9m os conhece ou os pode castigar com o seu voto, e que s\u00e3o respons\u00e1veis pela <strong>destrui\u00e7\u00e3o de milhares de pequenos neg\u00f3cios ou n\u00e3o aparecimento de novos projectos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span><strong>Um jovem que tente empreender \u00e9 morto \u00e0 nascen\u00e7a, n\u00e3o tem a m\u00ednima hip\u00f3tese.<\/strong> Caso seja caturra e logre prosperar, os reguladores sectoriais encarregar-se-\u00e3o de o exterminar ou impedir que ganhe dimens\u00e3o. Ser\u00e1 obrigado a cumprir uma infinidade de normas e regras que restringem a comercializa\u00e7\u00e3o ou incrementam substancialmente os custos, ocupando-o, ao mesmo tempo, com uma pan\u00f3plia de pap\u00e9is e burocracias, em lugar de se ocupar em satisfazer o cliente. Caso n\u00e3o cumpra \u2013 a legisla\u00e7\u00e3o est\u00e1 escrita com esse prop\u00f3sito \u2013 ser\u00e1 multado e perseguido sem qualquer benevol\u00eancia: multas e san\u00e7\u00f5es ser\u00e1 o prato servido.<\/span><\/p>\n<p><strong>Em que conjuntura vive? Que ideias ou medidas prosperam?\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\"><span>Para\u00edsos fiscais diabolizados \u2013 bom mesmo \u00e9 o <strong>inferno fiscal em que isto se tornou<\/strong>;<\/span><\/li>\n<li aria-level=\"1\"><span>Crescente legisla\u00e7\u00e3o relacionada com o branqueamento de capitais, com \u00e2mbito alargado (agora at\u00e9 os cofres nos bancos deixaram de ser an\u00f3nimos) e san\u00e7\u00f5es agravadas;<\/span><\/li>\n<li aria-level=\"1\"><span><strong>Incremento permanente das taxas de imposto<\/strong> \u2013 agora concertadas entre estados; vejam-se as propostas fiscais da nova administra\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span>Os seus rendimentos n\u00e3o escapar\u00e3o \u00e0 malha do fisco. Este agora disp\u00f5e de poderes mais alargados; a n\u00edvel internacional, beneficia de trocas de informa\u00e7\u00f5es com todos os estados do globo; no futuro, ter\u00e1 ainda mais informa\u00e7\u00e3o, em resultado do fim do anonimato do dinheiro f\u00edsico ou das contas banc\u00e1rias em certas partes do mundo. Com as moedas digitais dos bancos centrais, todas as entradas e sa\u00eddas da sua carteira digital ser\u00e3o sujeitas \u00e0 vigil\u00e2ncia permanente de um enorme <\/span><i><span>Big Brother<\/span><\/i><span>. N\u00e3o ter\u00e1 escapat\u00f3ria!<\/span><\/p>\n<p><span>O<strong> actual sistema em que vivemos entregou a soberania monet\u00e1ria ao Banco Central Europeu (BCE)<\/strong>; o que nos trouxe? <strong>Juros a 0%<\/strong>, n\u00e3o reflectindo a procura e oferta por poupan\u00e7a, e uma cascata de cr\u00e9dito, <strong>resultando numa subida vertiginosa do pre\u00e7os das casas, impossibilitado qualquer jovem de adquirir casa pr\u00f3pria<\/strong>; e caso decida avan\u00e7ar para a loucura, endivida-se at\u00e9 \u00e0 sepultura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Um sistema de reservas fraccionadas, um esbulho de propriedade privada, concentrado numa \u00fanica entidade, como \u00e9 caso do BCE, permite um enorme esquema piramidal que envergonharia o falecido Sr. Madoff. <strong>A m\u00e1quina de infla\u00e7\u00e3o tornou-se gigantesca<\/strong>, permitindo financiar os grandiloquentes programas da Uni\u00e3o Europeia, como \u00e9 caso da Bazuca Europeia.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Algu\u00e9m julga que \u00e9 gratuito, que o dinheiro cair\u00e1 do c\u00e9u?<br \/>\nObviamente, ser\u00e1 pago com infla\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span>Esta insanidade monet\u00e1ria j\u00e1 se reflecte e bem no pre\u00e7o de bens essenciais, apesar de sistematicamente negado pelos bancos centrais, no presente ano &#8211; ver Figura 4 &#8211; temos, de forma aproximada e medido em USD, a Aveia a subir 103%, o Petr\u00f3leo 73%, o Caf\u00e9 60%, o A\u00e7\u00facar 21%! <strong>A infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma realidade e ir\u00e1 destruir por completo o poder aquisitivo do dinheiro<\/strong>, afectando em particular os mais d\u00e9beis da sociedade, precisamente os mais jovens \u2013 aqueles que est\u00e3o longe da impressora.<\/span><\/p>\n<p><strong>Figura 3<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/imagem_4-1.png\" alt=\"\" width=\"985\" height=\"578\" \/><\/p>\n<p><span>Os que ao longo da vida logrem poupar n\u00e3o conseguir\u00e3o obter um dep\u00f3sito no banco que compense a eros\u00e3o causada pela infla\u00e7\u00e3o, em resultado da repress\u00e3o financeira decretada pelos bancos centrais \u2013 <strong>juros 0% \u00e9 a sua receita permanente, com o \u00fanico prop\u00f3sito de salvar estados falidos, incapazes de suportar uma microsc\u00f3pica subida das taxas de juro.<\/strong> Eis o milagre europeu que nos \u00e9 servido todos os dias nas TVs: paneg\u00edricos ao BCE e \u00e0 genialidade dos seus governadores. <strong>Os mesmos que ir\u00e3o abrir caminho a uma infla\u00e7\u00e3o galopante, provocando uma profunda crise e devastando por completo os mais desfavorecidos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span>Vivemos assim num sistema perfeitamente desigual, criado e desenhado para alimentar apenas os que fazem parte dele.<\/span><\/p>\n<p><strong>Qual o futuro para as novas gera\u00e7\u00f5es?\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano, o 25 de Abril de 1974 celebrou 47 anos. 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